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Open Insurance: uma realidade que você precisa encarar - e entender!

Open Insurance: uma realidade que você precisa encarar - e entender!

O Open Insurance já é realidade! Você já sabe do que se trata e o que pode esperar dessa mudança?

Dia 15 de dezembro de 2021 foi a data escolhida para ser o início do movimento de Open Insurance no Brasil. Totalmente inovador e sem muitos precedentes em outros países, esse movimento tem dividido opiniões e gerado grandes incertezas no mercado segurador.

Segundo a SUSEP, “Open Insurance, ou Sistema de Seguros Aberto, é a possibilidade de consumidores de produtos e serviços de seguros, previdência complementar aberta e capitalização permitirem o compartilhamento de suas informações entre diferentes sociedades autorizadas/ credenciadas pela Susep, de forma segura, ágil, precisa e conveniente.” Seguindo na esteira do Open Bank, o Open Insurance tem o objetivo de dar ao consumidor maior autonomia na escolha dos seus seguros e planos de previdência, na medida em que padroniza o compartilhamento de dados e integra os sistemas das seguradoras com seus produtos e serviços. Juntos eles formarão o Open Finance, projeto que promete dar maior consciência ao cidadão sobre sua realidade financeira e suas possibilidades de gestão e aplicação do dinheiro.

Apesar da grande promessa do Open Insurance ser garantir ao consumidor maior autonomia na escolha de seus seguros e amplo acesso às opções e preços de mercado, possibilitando um melhor custo x benefício, esse cenário ainda está longe de se concretizar. Isso porque a fase 1 do Open Insurance prevê apenas o compartilhamento de dados públicos das seguradoras referentes a produtos e canais de atendimento. São dados mais burocráticos, por assim dizer, mas que já representam um importante passo.

Para garantir ao consumidor final acesso a contratação dos seus seguros de forma aberta e ampla, antes o Open Insurance precisará passar por uma série de adequações de cunho tecnológico e regulamentar. A segurança de dados, por exemplo, seguindo a LGPD, precisará ser muito bem controlada. Cabe a cada consumidor permitir ou não o compartilhamento dos seus dados. Em contrapartida, os sistemas precisarão estar prontos para tratar esses dados e garantir uma análise de risco cada vez mais personalizada e justa.

O desenvolvimento de APIs de integração entre as seguradoras será outro desafio, uma vez que cada seguradora hoje tem seu próprio sistema, e o Open Insurance propõe a padronização dos dados em uma plataforma com a qual todos esses sistemas conversem de forma integrada e fluida. Outro desafio será a regulamentação, em especial com novos players entrando no mercado segurador, como temos observado ultimamente.

E como fica o corretor de seguros em meio a isso tudo? As opiniões são cada vez mais divididas. José Adalberto Ferrara, presidente da Tokio Marine, em entrevista recente ao jornal Valor Econômico, quando questionado sobre o tema, afirmou:

“A Tokio Marine, por exemplo, é uma seguradora cujo principal canal de distribuição é o corretor, e nós não vislumbramos a exclusão desse profissional em nenhuma das nossas iniciativas, ao contrário”

Por outro lado, Antônio Penteado Mendonça, sócio da Penteado Mendonça Advocacia e secretário-geral da Acadêmia Paulista de Letras, em artigo recente publicado na Revista Apólice, se mostrou preocupado com a velocidade em que o Open Insurance está sendo implantando no Brasil, em especial por não haver referências relevantes da experiência em outros países para nos basearmos. Além disso, ele demonstrou uma genuína preocupação com o papel do corretor diante da mudança.  

“Por que correr o risco de desestruturar um setor que funciona bem e cujos canais de distribuição mais eficientes, os corretores de seguros, não foram incluídos nas novas regras? Por que prazos tão exíguos para a implantação sem estudos profundos e discussões amplas de algo que pode causar estragos de monta?”

Diante de tantos desafios, não há como saber ao certo os efeitos do Open Insurance no setor securitário e no dia a dia do corretor, mas é importante ficarmos cada vez mais atentos aos movimentos relacionandos à esta mudança. O próximo marco relevante será a 2ª fase do Open Insurance, prevista para setembro de 2022, onde o cliente vai determinar se deseja que as informações dele sejam, de fato, compartilhadas com seguradoras e corretores.

 

 

Fontes:

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2021/09/30/valor-1000-no-setor-de-seguros-mudancas-em-tempos-dificeis.ghtml ou as ferramentas oferecidas na página.

https://www.revistaapolice.com.br/2021/10/open-insurance-vamos-discutir-mais-essa-ideia/

https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/open-insurance-como-vai-funcionar-o-compartilhamento-de-dados-de-seguros-e-previdencia-expert-2021-infomoney/

https://www.revistaapolice.com.br/2021/10/open-insurance-5-vantagens-para-os-consumidores/

https://openinsurance.susep.gov.br/

TUTUM
Maria Luíza Mello
Maria Luíza Mello Seguir

Sou corretora de seguros e administradora de formação. Adoro compartilhar o conhecimento que adquiri com a minha experiência acadêmica e, principalmente, profissional. Por isso, compartilho dicas e dou cursos para corretores!

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